28 julho, 2015

Triste vida de escravo - Cartas espíritas. Psicografia mediúnica.

Triste vida de escravo.
Cartas espíritas - Psicografia mediúnica.
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O dia amanhecia e antes mesmo dos primeiros raios do sol já estávamos a caminho do canavial, ficava bem distante da senzala e era uma boa caminhada até lá. Íamos escoltados pelo feitor e seguíamos de dois em dois seguindo uma enorme fila, íamos em silêncio, pois que não tínhamos nem o direito da palavra. Assim, seguíamos  além de cansados, muito mal  alimentados. Os animais daquela fazenda tinham alimentação melhor que a nossa.
Não sei precisar com quantos anos fui parar ali, sei que fui separado da minha mãe com muita dor  no coração e lágrimas nos olhos.
Nunca mais a vi, assim o tempo foi passando, eu já estava ficando rapaz e o meu sonho era ter uma família, uma família igual a dos brancos, porque eles podiam e nós não. Quanta revolta, isso me carregava o coração de ódio, não conseguia aceitar que só pela cor negra da minha pele tudo tinha que ser assim.
Certa vez, chegaram à fazenda uma leva de escravos que viriam para o trabalho na casa grande, algumas para serem amas de leite, outras para os serviços da casa já que as que faziam esses serviços estavam envelhecendo e não prestando mais para tal trabalho e o senhor não gostava de negras velhas.
Entre elas veio Joaquina uma linda moça, logo me senti atraído por seus encantos e tive a alegria de ser correspondido.
Começamos então, a nos encontrar nas horas que conseguíamos driblar os feitores. Assim, seguíamos nossas tristes vidas, mas que a cada encontro se fazia sentir um pouco de alegria que achavam que não merecíamos sentir.
Um dia sem que percebêssemos fomos pegos pelo feitor, esse contou ao senhor. A senhora veio a saber, mulher cruel disse que ela é quem ia determinar o castigo.
Joaquina foi vendida para outra fazenda e nunca mais nos vimos, eu apanhei no tronco até ter as costas dilaceradas pelas duras chicotadas desferidas pelo feitor.
O tempo passava lento e agora me sentia mais sozinho que nunca.
Sempre fui muito curioso e tinha vontade de ver como era a casa grande, com ajuda de uma negra velha consegui entrar na casa grande. Fiquei maravilhado quando vi a biblioteca, era um lugar fascinante, eu sempre via os senhores com livros, mas vê-los ali, todos juntos, era como se fosse um lugar mágico.
Depois disso consegui visitar aquele lugar muitas vezes, mas, embora fosse completamente analfabeto, aquilo me fascinava. Certo dia, numa dessas visitas, peguei um livro e comecei a folheá-lo; nesse momento, a senhora entrou e me pegou em flagrante; pedi perdão, disse que só estava olhando. Ela me disse que negros não precisavam “olhar” nada e que eu não olharia mais nada.
Imaginem meu castigo? Tive os dois olhos furados, fiquei cego, e só a escuridão me fazia companhia.
Em meio a tanta dor, maus tratos e péssima alimentação, acabei sucumbindo e um dia depois de passar muito mal, com muita febre e delírios, meu corpo foi levado para morte.
Hoje, sou muito feliz; a única tristeza que sinto é ver que a minha senhora que tanto mal fez a mim e a meus irmãos de cor, hoje, é uma mulher semi-louca, sozinha e completamente, infeliz.
Faz muito tempo que a perdoei e tento ajudá-la, mas, a infeliz mesmo vivendo outra vida, traz dentro de si todo o remorso e também o orgulho, e é esse que não a deixa em paz. Sofre tenaz perseguição.
Irmãos, a escravidão já acabou a tanto tempo e ainda hoje pessoas de pele negra continuam sofrendo na carne esse preconceito ridículo.
Cuidado irmãos, saibam que vivemos muitas vidas e o que se odeia hoje pode ser nossa condição de amanhã.
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Joaquim.
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Canal: Débora.                                                        
Psicografia recebida em reunião mediúnica - 19 de Julho de 2015.
Fonte: Cartas espíritas - Psicografia mediúnica.
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